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On the Pipe 4 Another Score

Um filme amplo, do freeriding aos flips

Por José Gaspar
Fotos: Mark Watson/Red Bull
Double Hart de Robbie Maddison no Red Bull X Ray

Um filme amplo, acredito que esta seja a palavra mais adequada para se definir On the Pipe 4 Another Score. Amplo por apresentar diversas facetas do movimento moto off-road, desde o puro freeriding até os novos “daredevils”, especializados nos saltos em longas distâncias. Amplo também por possibilitar uma visão global, mostrando que o desenvolvimento do FMX europeu ultrapassa as manobras, e chega aos complexos de treinamento. E que para a próxima geração australiana (pós Blake Willians), criada montando motos quatro tempos, a extinção, transição, ou qualquer coisa relacionada aos motores dois tempos não é preocupação. Observando a desenvoltura que esses jovens têm em sua pilotagem, entende-se o porquê da ausência de qualquer receio.

Filmes como On the Pipe trazem muitas imagens de megaeventos como os X Games, às vezes mostrando por outra perspectiva momentos importantes. Entretanto, o que realmente me atrai nesse tipo de produção são as imagens inéditas. Por mais simples que pareça uma sessão no “quintal de casa”, quando quem está em ação são pilotos da estirpe de Mike Mason e Dustin Miller, o “quintal” realmente tem muito a oferecer. Nesse ponto, ainda é possível conhecer um pouco mais a rotina de treinos, saltos, e a infra-estrutura dos locais onde esses freestylers costumam pilotar. Para quem busca se inteirar sobre todos os detalhes da modalidade, certamente algo bem interessante. Aliás, o capítulo dedicado a Mike Mason, Dustin Miller e Adam Jones, é um dos destaques. Com a banda Strung Out de fundo é possível apreciar uma enorme variedade de combinações, que têm como base tanto manobras regulares quanto backflips. Claro, todas executadas com a perfeição característica desses freestylers.

Nessa mesma linha On The Pipe 4 passa pelos complexos de Brian Deegan, na Califórnia, onde quem faz o espetáculo é Todd Potter, e pelo o “Sweet Spot”, na Suécia, propriedade de Fred Johansson. Ademais, caso você nunca tenha ouvido falar num lugar chamado Wyvern, esta é a chance de conhecer um dos maiores “playgrounds” para os aficionados por motocross do planeta. O local oferece uma enormidade de linhas, com muitas opções de rampas e saltos. Durante uma sessão reunindo diversos pilotos, incluindo Travis Pastrana, quem chama a atenção é Lance Coury, apontado como promessa do FMX, e Willey Fullmer, com seu famoso 9 o’clock nac hartattack, esticado ao máximo, e com a moto apoiada no batente de direção. Esta é uma das primeiras manobras que vem a minha mente quando penso em On The Pipe 4. Outra cena impressionante é Ronnie Renner saltando um quarter pipe. Fora a plástica do vôo, a montagem das imagens, com a seqüência das fases feitas por tomadas diferentes, ressalta toda a destreza necessária para o salto. Renner ainda mostra alguns de seus megawhips em quarter pipes naturais no Red Bull X Ray, realizado na Austrália. O evento em si é outro ponto alto do filme. Mesclando freestyle motocross e freeriding num mesmo traçado, o Red Bull X Ray cria um ambiente onde a moto quase não pára no chão, com múltiplos saltos, próximos e fluídos. Talvez seja esta uma das direções em que os traçados de FMX se desenvolvam futuramente, ou pelo menos, de onde recebam alguma influência. Robbie Maddison é quem dá o ritmo do capítulo, com diversas manobras técnicas, tais como madocopter e sideway hartattack. Porém, Maddo não esquece o aspecto natural do traçado, com whips monstruosos sobre verdadeiras paredes.

Um dos diferenciais da série On the Pipe sempre foi lançar um olhar diferenciado sobre as motos. Seus produtores, Jay Schweitzer e Mike Mc Entire, famosos por produções como Crush e Moto XXX, mais uma vez alcançaram seus objetivos neste quarto título da série.

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