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FMX Australiano

Qual o segredo para tantos pilotos surgirem de lá?

Por José Gaspar
Fotos: FMXXX.com
Steve Sommerfeld no wall ride com um piloto de trial

Nos primórdios do freestyle motocross, quando a modalidade começou a se espalhar mundo afora, um de seus primeiros destinos além das fronteiras norte-americanas foi a Austrália. No início dos anos 2000, nomes como Michael Hall, Daniel Hall e Robbie Marshall já eram relativamente conhecidos. Posteriormente, vieram Dayne Kinnaird, Luke Urek, Robbie Maddison e mais recentemente, Blake Willians.

Hoje, ao pensarmos na Austrália no âmbito do freestyle motocross, imediatamente, associamos à Terra dos Cangurus uma nova geração de pilotos extremamente talentosos, com uma bagagem de manobras explosivas. Conhecemos os nomes. Cameron Sinclair, Rob Adelberg e Levi Sherwood (neozelandês que fez sua carreira como freestyler no país vizinho). Mas, e a cena em si? Geograficamente distante de nós, sob certos aspectos, a paisagem australiana se assemelha à nossa. Longos deslocamentos para chegar às competições e o desejo dos pilotos de conquistarem a cena internacional. Por isso, vamos saber um pouco mais o que ocorre por lá e tentar entender o seu sucesso.

O melhor ponto de partida é o Campeonato Australiano de Freestyle Motocross. Realizado anualmente em Narrogin, cidade duas horas distante de Perth, o campeonato ocorre todo terceiro final de semana de novembro. Faz parte das atrações do Narrogin Revheads, tradicional encontro de carros modificados, realizado há quase duas décadas. Este ano marca a terceira edição dessa parceria entre carros e motos.

Na edição passada a vitória ficou com Levi Sherwood, seguido por Rob Adelberg e Josh Sheehan. Ou seja, o mesmo trio que vem ganhando destaque nesta temporada. A ocasião também marcou a apresentação pública do excepcional backflip ruler de Josh Sheehan. Não por acaso, manobra que conquistou o Big Air.

Apesar da exposição reduzida fora de suas fronteiras, essencialmente restrita aos mais aficionados, o campeonato cumpre papel fundamental na formação de freestylers. Um exemplo curioso, mas que ilustra perfeitamente sua importância, é a ausência de uma categoria para amadores. Até dois anos atrás, esta categoria existia. Entretanto, em razão da rápida evolução de seus participantes, a classe se tornou desnecessária. Agora, diante de uma nova safra de pilotos, existe a possibilidade de seu retorno. Isso evidencia compromisso com a renovação e flexibilidade para se moldar à realidade da cena local em prol do desenvolvimento.

Tipo de comprometimento que se estende a outros pontos do campeonato. Caso da pista do ano passado. Apesar de simples, com três recepções e três saltos na faixa dos 25 metros, uma atenção especial foi dedicada aos detalhes. Como retas de aceleração cimentadas, com 25 metros de comprimento, nas quais eram fixadas as rampas. Para complementar, um contêiner, posicionado para funcionar como wallride. Apenas Steve Sommerfeld, quarto colocado no campeonato, utilizou o obstáculo. “Vinha treinando com Schuei (Matt Schubring) na pista dele, onde há um wallride natural, no qual é necessário saltar 16 metros para se chegar à parede. Por isso, senti que conseguiria” explicou Sommerfeld. Mas se o habitual ritmo australiano de evolução se mantiver, este ano veremos mais pilotos cruzando a seção.

Completando os elementos que compõe a cena, a Valyside, empresa australiana de roupas e acessórios nascida no ambiente do freestyle motocrosss, se tornou a principal patrocinadora do evento deste ano, que passa a se chamar oficialmente Valyside Revheads Australian FMX Championships. Segundo proprietário da marca, Seb Paluch, o objetivo é “devolver a contribuição que as competições deram para o desenvolvimento do esporte na Austrália”.

Em breve, traremos mais novidades, como entrevistas e coberturas, para nos aproximarmos cada vez da cena que mais revela talentos atualmente.

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