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O que vem por aí

A nova geração do FMX vai além de Sherwood!

Por José Gaspar
Fotos: Divulgação Super X
A sensação Sherwood, vencedor no X-Fighters

Independentemente de dois ou quatro tempos, como já escrevi algumas vezes, em minha visão, o verdadeiro motor do freestyle motocross é a evolução. Esta é a minha máxima. E numa modalidade absolutamente pautada pelo avanço, nada mais natural que discussões sobre a próxima geração. Estou sempre atento às futuras linhagens de pilotos, mas minha participação no FMX Awards aguçou meu olhar. Afinal, escolher um punhado de estreantes diante de uma imensidão de garotos que vem barbarizando mundo afora não é tarefa das mais simples.

Além dos indicados à premiação, minhas análises renderam mais duas conclusões. Primeiro, existem muito mais pilotos despontando do que a maioria dos aficionados imagina. Segundo, a atenção despertada por eles na mídia é desproporcional. O exemplo perfeito é o neozelandês Levi Sherwood, vencedor da etapa de abertura do Red Bull X-Fighters 2009, no México. Apesar da estréia arrebatadora na série este ano, em 2008, Sherwood conquistou a segunda posição no maior campeonato de freestyle motocross da Austrália. Em razão de uma queda ficou impossibilitado de disputar todas as etapas, perdendo o título para Kain Saul. Digamos que por um desempenho surpreendente, com vários momentos de genialidade, como um one hand take off para sideway hartattack indy, Sherwood conquistou o título de campeão moral.

Josh Sheehan, domínio total do flip ruler

Apesar disso, tais realizações não foram devidamente destacadas, e a participação de Levi no Red Bull X-Fighters foi considerada a sua verdadeira estréia nas competições. Genialidade à parte, Levi é um entre os nomes que vem surgindo na “Terra dos Cangurus”. Aliás, lugar este que sintetiza, pelo menos sob o meu ponto de vista, o futuro próximo do FMX. Ou seja, motos 4 tempos, complexas combinações de backflips como algo corriqueiro e manobras regulares com movimentações assustadoramente contorcidas. Boa base nas corridas, confronto direto contra pilotos experientes e a impetuosidade que somente a pouca idade oferece completam os elementos desta “equação australiana”.

Juntamente com Sherwood, dois outros nomes oriundos desse mesmo ambiente me chamaram a atenção: Josh Sheehan e Jarryd McNeill. Sheehan tem 23 anos, e apesar de não ser mais um adolescente, conquistou notoriedade pelo domínio de manobras com elevado grau de dificuldade, como, por exemplo, o ruler flip. Possui manobras regulares de qualidade e a habilidade sobre a moto desenvolvida nas corridas. McNeill, por sua vez, alcançou muito cedo um público além das fronteiras de seu país, com apenas 15 anos, através do filme On the Pipe 4. Num capitulo dedicado ao Red Bull X-Ray, mostrou competência na terra pura, numa ocasião na qual o freeride imperava, transpondo saltos próximos uns aos outros, aproveitando bem as características do local. Teve confiança por não se intimidar com a presença de Ronnie Renner, Robbie Maddison e Craig Anderson. Já nas manobras vistas nas competições da temporada passada, deixou sua marca num nine o clock nac. Além de plena extensão, girou seu corpo para frente da moto, demonstrando a flexibilidade de um contorcionista, colocando seu toque pessoal na manobra. Outro ponto forte são os parceiros com quem costuma treinar, e que tiveram papel fundamental para a sua entrada no FMX, Cameron Sinclair e Blake Willians. McNeill ainda está presente nas corridas, e muitos ainda o questionam por qual carreira optar, freestyler ou racer, por performances consistentes em ambas as situações. Todavia, suas manobras respondem qual a sua escolha.


Estados Unidos, o berço do FMX

Atualmente o freestyle motocross é uma realidade global, e a supremacia norte-americana do passado já não existe mais. Contudo, lá é o berço da modalidade, e em certos aspectos, como mídia, ainda é onde o esporte está mais desenvolvido. Tanto que ao falar de estreantes, imediatamente, dois nomes vêm à mente: Lance Coury e Destin Cantrell. Talvez o termo “hype” seja excessivo, mas, de fato, os dois californianos tiveram presença maciça nos meios de comunicação, sempre sob a alcunha de futuros campeões.

Jarryd McNeill, contorcionismo nas manobras

Ambos têm, sim, muita qualidade. Mesmo com raras participações nas competições, nos últimos tempos, assisti tanto a Cantrell quanto a outros pilotos que vêm participando dos grandes eventos. Ele tem esse talento, uma pilotagem atraente. A despeito de resultados, sempre é um prazer assistir pilotos como Mike Mason, Drake McElroy e André Villa. Cada qual com suas particularidades, mas todos com sua própria identidade. Associo Cantrell a esse grupo, pelas jornadas de seus holygrabs e one hand helicopters absolutamente matadores.

Já Coury tem em mãos acesso às facilidades que podem formar um campeão: patrocinadores fortes, contato direto com pilotos do primeiro escalão e uma estrutura para treinos invejável. Na verdade, parte de sua notoriedade veio justamente deste local de treino, o Wyvern Ranch, construído por seu pai e Scott Price, e considerado o melhor centro privado da Califórnia. Rapidamente se dedicou aos flips, completando seu primeiro giro na terra em 2007, contudo, sem relegar as manobras regulares. Cantrell e Coury têm como foco os megaeventos e, certamente, é questão de tempo para assistirmos esse confronto direto.


Na Europa, o prodígio vem do Leste

Do outro lado do oceano, na Europa, alguns nomes começam a se destacar, principalmente por iniciativas como o Campeonato Alemão de Freestyle Motocross. Embora ainda incipiente, o circuito tem entre suas metas criar uma nova safra de freestylers. Mas é da República Checa que vem o prodígio europeu, Petr Pilat, de 17 anos. Pilat reúne uma série de fatores de grande valia na carreira de qualquer piloto. Ele possui orientação técnica de seu compatriota Petr Kuchar, pioneiro do FMX na Europa e um dos primeiros a se arriscar nos Estados Unidos no início dos anos 2000. Sua carreira é gerenciada por um dos maiores promotores de eventos do Velho Mundo, o que lhe rendeu participações em megaeventos, como o Red Bull X-Fighters. Aliás, empresa que está entre seus principais patrocinadores. É considerado o piloto mais jovem a fazer o backflip, e atualmente explora bem algumas combinações, como o sidesaddle. Curiosamente, apesar dos flips, sua grande limitação ainda são as manobras regulares, tanto sob aspectos como variedade quanto qualidade de execução. Todavia, considerando sua idade, ele tem tempo de sobra para se aprimorar nesse quesito. Pela rapidez com que dominou o flip e de sua entrada nos grandes eventos, Pilat se mostra como um piloto arquitetado para chegar ao topo, o que tem aspectos positivos e negativos.

Não se surpreenda se em breve estivermos acompanhando nos megaeventos disputas como Cantrell versus Pilat e Sherwood versus Coury, e claro, Sheehan em meio a eles. Sem dúvida, outros nomes irão surgir, assim como Sherwood, “do nada”, mas que ao lançarmos um olhar mais atento, veremos que “do nada”, não tem nada.

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